torta frangipane de castanha do pará

Ontem eu não estava muito bem. Meio triste, irritado, sensível e com ódio no coração (hahaha). Não, este não vai ser um momento “querido diário”, mas as coisas ficaram mais alegrinhas quando eu decidi fazer uma torta. Coincidentemente, quando a decisão foi tomada, meu iPod começou a tocar Where Do You Go to My Lovely, que me lembra Viagem à Darjeeling, dirigido pelo Wes Andersen, que para mim é sempre sinônimo de confort movie. Agora, a história da torta é outra coisa.

Tinha visto uma torta frangipane de frutas vermelhas no MasterChef Australia e ela não saiu da minha cabeça. Então tinha que ser ela, mas sabia que precisava fazer algumas modificações, só não contava que seriam muitas. Acabou virando uma Torta Frangipane de Castanha do Pará com Geleia de Cassis e Morangos. E eu afirmo que é a melhor torta que já fiz na vida! Capaz de curar qualquer dia ruim.

O nome é pomposo, mas não requer grandes habilidades, e dá para fazer inúmeras variações dela! O frangipane costuma ser feito com amêndoa, mas não encontrei amêndoa sem pele, então substituí por castanha do pará. Minha ideia era usar morangos e amoras com geleia de frutas vermelhas, mas não encontrei amoras (quando eu não quero, encontrou aos montes. Murphy me ama) e só tinha geléia de cassis, que nunca tinha experimentado.

Torta Frangipane de Castanha do Pará com Geleia de Cassis e Morangos

> Massa

Comece por ela porque ela vai precisar descansar por 1 hora, enquanto isso, você faz o frangipane. Tenho certa preguiça de fazer massa, então procurei por uma bem simples e fácil, feita no processador, sem ter que trabalhar com as mãos. A eleita é esta, do I Could Kill For Desserts, e aprovadíssima.

100 g. de manteiga (sem sal) gelada; 180 g. de farinha de trigo; 1/2 colher (sopa) de açúcar; 1/2 colher (chá) de sal; 60 ml de água gelada

No processador, misture a farinha com o sal e o açúcar. Adicione a manteiga cortada em pedaços e pulse em staccato até a farinha começar a ganhar consistência de farofa.

Pulsando de 4 em 4 segundos, adicione a água aos poucos até a massa virar uma bola. Retire do processador, forme um disco e embrulhe em papel manteiga e depois no plástico filme. Leve à geladeira por 1 hora.

> Frangipane

Tradicionalmente é feito com farinha de amêndoa, mas pode-se substituir por castanha de caju, do pará, avelã e até usar coco fresco. Alguns mercados vendem uma farinha já pronta, mas pode-se perfeitamente triturar, e eu até prefiro sentir os pedacinhos. Depois de pronto, pode ser guardado na geladeira por até 3 dias (se estiver muito duro, deixar em temperatura ambiente e bater um pouco).

200 g. de castanha do pará triturada; 200 g. de açúcar; 200 g. de manteiga em temperatura ambiente (24º C); 200 g. de ovos (cerca de 4); 80 g. de farinha de trigo; 20 g. de rum/licor de amêndoa/conhaque ou whisky

Bater o açúcar com a manteiga até virar um creme quase branco. Adicionar a castanha do pará e incorporar bem. Acrescentar um ovo de cada vez, batendo bem após cada adição.

Adicionar a bebida (no meu caso, whisky) e bater apenas para incorporar. Desligue a batedeira e incorpore a farinha de trigo com a ajuda de um pão duro ou espátula. Certifique-se de que o creme está homogeneizado. O ponto é quando não cai do pão duro.

> Montagem

Depois de preaquecer o forno a 180º C, asse somente a massa por 8 minutos. Não esqueça de fazer furos com o garfo. Use uma forma redonda de 25 cm de diâmetro (fundo falso), dessas de torta de maçã que fica esfriando na janela. Este tamanho é ideal para a massa.

Depois de pré-assar a massa, coloque a geleia de cassis (280 g.). Para dar uma leve diluída, misturei um pouco de vinho do porto. Disponha os morangos (menos de uma caixa) e depois cubra com o frangipane. Leve ao forno novamente por cerca de 25-30 minutos, ou até o frangipane ficar lindamente dourado. Deixe esfriar, desenforme e sirva com chantilly ou sorvete de creme (porque a vida fica melhor assim).

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A história do Frangipane é curiosa e começa no século XVI, com um marquês italiano que vivia na França chamado Muzio Frangipani. Na época, o beija-mão era um cumprimento comum, mas Frangipani não gostava muito do cheiro das mãos que beijava. Então ele criou um perfume para luvas com um cheiro amendoado. Foi um grande sucesso e uma coqueluche. Os confeiteiros resolveram introduzir este perfume em suas criações e roubaram o sobrenome do marquês para o creme de amêndoas.

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