refeição literária

A designer Dinah Fried pegou cinco livros populares e extraiu deles refeições que ela retratou de forma minimalista e elegante. Pobre Oliver!

O Apanhador no Campo de Centeio – J. D. Salinger

“Depois de deixar minhas malas num armário da estação, entrei num barzinho e tomei café. Para mim foi um vastíssimo café – suco de laranja, bacon e ovos, torrada e café. Em geral, fico só no suco de laranja. Como muito pouco. Verdade mesmo. É por isso que sou tão esquelético. Eu devia fazer uma espécie de super-alimentação, para aumentar o peso e tudo, mas nunca fiz. Quando estou fora de casa, geralmente só como sanduíches de queijo e leite maltado. Não é muita coisa, mas o leite maltado tem um monte de vitaminas. H. V. Caulfield. Holden Vitamina Caulfield.”

Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll

“’E desde então’, continuou o Chapeleiro num tom
pesaroso, ‘ele não faz nada do que eu peço! São sempre seis
horas!’
‘É, é isso mesmo’, disse a Lebre de Março com um
suspiro, ‘é sempre hora do chá, e nós não temos tempo de lavar
a louça nos intervalos.’
‘É por isso que vocês ficam girando em torno da mesa?’
disse Alice.
‘Exatamente’, disse o Chapeleiro, ‘conforme as louças vão
ficando sujas.’
‘Mas o que acontece quando vocês retornam para o
começo?’ Alice ousou perguntar.”

Oliver Twist – Charles Dickens

“O lugar onde as crianças comiam era uma grande sala, com chão de tijolo, tendo ao fundo uma grande caldeira onde o cozinheiro do asilo, de avental à cintura e ajudado por duas mulheres, tirava o mingau nas horas de refeição.
Cada criança recebia uma tigelinha cheia e nada mais, exceto nos dias de festa, em que se lhes dava mais duas onças e um quarto de pão. As tigelas nunca precisavam ser lavadas; os pequenos, com as suas colheres, deixavam-nas completamente limpas e lustrosas; e quando acabavam esta operação, que não durava muito, porque as colheres eram quase do tamanho das tigelas, ficavam contemplando a caldeira com olhos tão ávidos que pareciam devorá-la e lambiam os dedos para não perderem algum resto do mingau que lhes ficasse.”

Moby Dick – Herman Melville

“No entanto, um vapor quente e saboroso vindo da cozinha serviu para desmentir a perspectiva aparentemente triste diante de nós. Mas quando essa sopa entrou, o mistério foi deliciosamente explicado. Oh, queridos amigos! Ouvi-me. Era feita de pequenos moluscos suculentos, pouco maiores que avelãs trituradas, misturadas com farelo de biscoito, carne de porco salgada e cortada em pequenos pedaços, engrossada com manteiga, e abundantemente temperada com sal e pimenta.”

*a tradução é minha, logo… refere-se a trecho do capítulo 15: chowder.

Os Homens que Não Amavam as Mulheres – Stieg Larsson

“Lisbeth Salander desconectou-se da internet e fechou seu Powerbook. Estava sem  trabalho e com fome. A primeira coisa não a perturbava diretamente desde que retomara o controle de sua conta bancária e que o dr. Bjurman adquirira o caráter de um vago estorvo do passado. A fome ela remediou indo até a cozinha e ligando a cafeteira. Preparou três grossos sanduíches com queijo, atum e ovo cozido, sua primeira refeição depois de muitas horas. Devorou os sanduíches noturnos encolhida no sofá da sala e ao mesmo tempo concentrada na informação que acabava de obter.”

“Quando a tevê anunciou a morte de Wennerström, ela abandonou a reportagem pela metade. Foi preparar um café e um sanduíche de patê de fígado com pepinos em conserva.”

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