Arquivo da categoria: restaurante

os macarons da paradis

Já estou ficando expert em macarons. Não, ainda não consegui fazer um, minha especialidade é provar mesmo. Vejo a aparência, se tem “pezinho”, o cheiro, o recheio, a textura… E com muita alegria fui experimentar os macarons da Paradis, uma doceria que está cada vez mais badalada no Rio. Graças ao bom Deus, o chef pâtissier Pierre Cornet -Vernet não abriu sua loja em um bairro de fino trato como o Leblon ou Ipanema, mas na rua mais movimentada da popular Copacabana, o que lhe permitiu reduzir os custos e cobrar um preço justo por seus doces (a caixa com 9 macarons sai por R$ 29,00). O ambiente da loja destoa do barulho e caos exterior, tudo é muito elegante e comportado, o serviço também é eficiente e educado (é estranho falar que um serviço é educado), mas e os macarons?

Pois bem, o de pistache foi o melhor de pistache que já comi. Melhor que da Ladurée, Pierre Hermé e que do Flavio Federico (não querendo desmerecer nenhuma das casas, por favor!). Ele tinha textura perfeita: casquinha crocante, aquele leve aerado da primeira mordida, macio por dentro, úmido e um recheio preciso. Mas o principal, ele tinha real sabor de pistache. É fantástico quando você come um macaron e sente o gosto prometido. O mesmo aconteceu com o de morango, blueberry (mirtilo), menta e limão siciliano. Devo retornar lá para provar o de manga, graviola e o de rosas – adoraria que tivesse de lavanda, talvez o meu preferido. Minha única crítica é quanto o capricho na montagem. Alguns macarons estavam casados tortamente, meio desencontrados. É claro que isso não altera o sabor, mas quando tudo está nos conformes, estes pequenos detalhes fazem diferença.

A Paradis vende também chocolates e sorvetes. Sem querer forçar a barra, é um paraíso perdido no vai e vem de Copacabana.

Paradis. Av. Nossa Senhora de Copacabana, 776.

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expectativa / realidade

Conheço uma pessoa que um dia passou pelo Spoleto e viu o anúncio de um ravióli de chocolate, lindo! Louca de vontade, ela enfrentou uma fila gigantesca e quando chegou no balcão, a decepção foi maior que ser barrado na Disney. Há um precipício entre o que aparece na propaganda e a realidade, levando isso em conta, e de forma bem legal, o McDonald’s do Canadá respondeu por que o sanduíche da vida real nem de longe lembra o da foto.

O vídeo salienta que o sanduíche para a foto usa os mesmos ingredientes do da lanchonete, a diferença é que eles tentam mostrar todos os componentes. O picles fica bem visível, a cebola dá altura, o queijo é levemente derretido com secador de cabelo e adiciona-se gotas estratégicas de catchup e mostarda. E claro, depois, o Photoshop entra em ação para ajustar luz, cores e corrigir imperfeições.

 

rio restaurant week 2012

Do dia 21 de maio até o dia 03 de junho, 50 restaurantes oferecerão 2 opções de cardápios compostos de 3 pratos (entrada, principal e sobremesa) por um valor fixo: R$ 31,90 no almoço e R$ 43,90 no jantar. É o Restaurante Week. Vale lembrar que bebidas, couvert e serviço não estão incluídos no preço. Confira quais restaurantes estão participando da edição 2012 e seus respectivos menus no site do evento. Bom apetite!

a importância do 4º lugar

O restaurante D.O.M., do chef Alex Atala foi eleito o quarto melhor do mundo pela World’s 50 Best Restaurants de 2012, lista promovida pela revista Restaurant . Viva! É motivo para festejar. Mas  o que tudo isso significa? O próprio Atala disse em entrevista que a repercussão internacional sobre ele e seu restaurante traz mais visibilidade à gastronomia brasileira e permite que outros cozinheiros também brilhem. Boa resposta, mas o curto tempo de televisão não o permitiu se aprofundar.

Basta navegar pelo site do D.O.M. para entender a resposta, mas Alex é um profundo incentivador da preservação da identidade gastronômica regional, principalmente da do Norte do Brasil. Não à toa, o fettuccine de pupunha é um dos seus pratos mais característicos. Sem contar o uso de ingredientes típicos como o jambu e o tucupi. No ano passado, Alex quase foi um dos integrantes da mesa redonda que discutiu o uso de ingredientes regionais, como eles podem ter a qualidade melhorada e a possível perda da tal indentidade regional, durante o 9º Ver-o-Peso da Cozinha Paraense. Quase, porque ele não chegou a tempo em Belém. A edição 2011 foi uma homenagem ao chef Paulo Martins, falecido no ano anterior, criador do festival e o maior divulgador da cozinha amazônica. Na mesma época, Alex escreveu sobre a criação de pirarucus em São Paulo e como ela pode beneficiar os rios amazônicos e sua população ribeirinha.

A mesa redonda acabou não discutindo tudo que estava no roteiro, mas foi frisada a importância da tecnologia e de investimentos na melhora da produção/extração e conservação dos tais ingredientes. Mas o ponto alto foi o reconhecimento do trabalho das boieiras, as cozinheiras do mercado, que sabem, melhor que ninguém, como trabalhar com ervas, peixes, raízes e frutos que só existem por lá. É delas o papel de contadoras de história, de preservar parte da cultura do Norte.

Resumidamente, a cultura do paladar é um hábito, e hábitos mudam, pois a sociedade muda. A globalização, sempre ela, tem massificado, padronizado o que consumimos e, consequentemente, o que comemos. Este assunto é desenvolvido muito melhor neste artigo, vale ler. De repente, damos mais valor ao tradicionalíssimo coq au vin e esnobamos a galinhada. E é aí que entra Alex Atala novamente. A sua preocupação com a valorização e preservação da cozinha brasileira é indiscutível, mas nem todos sabem disto. O resultado do D.O.M. na lista de melhores coincidiu com o Chefs na Rua, que fez parte da Virada Cultural de São Paulo. Resultado: cinco mil pessoas disputando 500 porções da galinhada do Alex Atala, que faz parte do menu do “irmão” do D.O.M., o Dalva e Dito. É claro que houve muita reclamação e até vaia, mas aposto que muita gente se perguntou por que um dos maiores chefs da atualidade fez galinhada.

> Mais sobre Alex Atala

Livros:

Com Unhas, Dentes e Cuca: Prática Culinária e Papo-cabeça ao Alcance de Todos Alex Atala e Carlos Alberto Dória / Ed. Senac, 2008

Escoffianas Brasileiras Alex Atala, Carolina Chagas / Ed. Larousse Brasil, 2008

Por uma Gastronomia Brasileira Alex Atala / Ed. Bei, 2003

Televisão:

Mesa pra Dois GNT, 2004/2005

peru-china: sem escalas

Há modismo em tudo nessa vida. Absolutamente tudo. Na gastronomia, já passamos pelas temporadas de salmão, espuma, vieira, flor de sal, fois gras, cozinha espanhola… A última introdução, pelo menos a tentada aqui no Brasil, foi a da cozinha peruana, o problema é que a moda só pegou em São Paulo, pois em outras cidades, nem exótica ela ainda conseguiu ser. Aproveitando o Rio Gastronomia, fui conhecer o único restaurante peruano no Rio de Janeiro, o Intihuasi.

Todo mundo conhece este restaurante mesmo sem nunca ter ido ou sem sequer saber o nome. É como buscar no Google: restaurante + peruano + rio de janeiro = “Ah, aquele na Barão do Flamengo”. Sim, aquele no Flamengo, tão pequenino, mas que chama atenção (é pequeno mesmo, por isso é bom fazer reserva). Meu conhecimento de cozinha peruana limitava-se a cebiche, batatas de todos os tipos e milhos de todos os tipos, além do aji, uma das pimentas nacionais, e eu não estava errado, mas o surpreendente é o que se faz com estes ingredientes. O menu para o Rio Gastronomia era cebiche de entrada, risoto ao açafrão com quinua e camarões, e um creme de milho roxo com frutas de sobremesa. Uma sequência muito bem equilibrada e executada. Por fora, pedi um sorvete de lúcuma para experimentar, mas não dá para dizer que amei.

Cebiche de peixe, milho verde, batata doce e milho gigante do vale sagrado!

Creme a base de milho roxo com frutas desidratadas

O Intihuasi abriu as portas em 2004, fruto do casamento de um brasileiro com a chef peruana Margarita Isabel. Pratos bem cuidados e serviço simpático. Ah, e os preços? Muita gente acha caro, mas eu acho justo. Deve-se levar em conta que eles trabalham com frutos do mar frescos e muitos produtos importados, então… Bom, tomara que a moda peruana pegue. Se os brasileiros aprenderam a gostar de peixe cru, por que não iriam gostar de cebiche – que nem cru é? Eu adoro e ainda ponho mais aji.

A poucos quilômetros ao norte do Flamengo, mas precisamente na Tijuca, um restaurante chinês sem charme algum tem uma das melhores comidas da cidade. Se você quer comer uma comida japonesa de qualidade, vá aonde os japoneses vão, logo, se você quer comida chinesa fora da caixinha, vá aonde os chineses vão.

A Grande Tijuca se tornou o bairro de coração dos chineses cariocas, isso explica a quantidade de restaurantes chineses na região, e nenhum deles é badalado, são do tipo “pequenos tesouros que poucos conhecem”. O Art China é um deles, fica quase na esquina onde Roberto Carlos encontrava Erasmo. Pelo que me pareceu, ali funcionou um restaurante à quilo, e pouco se mexeu na decoração e estrutura – não há um detalhe vermelho! Talvez eu esperasse um clichê, mas o que é um clichê chinês? Vai desde paredes e dragões vermelhos até o básico do funcional, então espera-se de tudo!

O tradicional rolinho primavera. Estava excelente!

Sopa wong tong, um dos meus preferidos. Caldo apurado e massa delicada

Carne de porco agridoce

Costelinha de porco com laranja. Aparência feia, mas sabor belíssimo

Refogado de mostarda chinesa

A atendente não falava português e era um tanto agressiva, mas depois veio outra, que também não falava português, mas mostrou-se muito simpática e atenciosa. Quando não soube dizer como era o prato, simplesmente foi até a cozinha pegar os ingredientes para nos mostrar. Demos o sinal universal de OK. Tudo veio muito rápido e delicioso! Quantidade monstro, pedimos quatro pratos (sem contar o rolinho primavera, que sempre serve de termômetro) que davam para alimentar seis – estávamos em quatro. A conta deu mais ou menos 120 reais. Saímos satisfeitíssimos com a comida, a única queixa foi com o ambiente e os pratos de serviço – prato de plástico e chá em copo de vidro não dá -, mas aí o Art China deixaria de ser um “tesouro” para poucos.

Intihuasi: Rua Barão do Flamengo, 35 D. Tel: 21 2225-7653.

Art China: Rua do Matoso, 195 I – entre Dr. Satamini e Haddock Lobo. Tel: 21 3546-4888/3546-4889.

PS: Desculpe pela qualidade das fotos.

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